Borrego do Nordeste Alentejano

​Carne de borrego tenra e suculenta, com uma textura suave e com alguma gordura intramuscular que lhe confere um sabor característico não muito intenso. A gordura, quer a cavitária quer a de cobertura, é de cor branca e de consistência firme. Esta carne é obtida a partir de ovinos provenientes de cruzamento industrial com a raça Merino Branco Regional. O merino branco regional é um ovino caracterizado pela extensão do seu velo e pela boa qualidade da sua lã, de tamanho médio, com cabeça larga e curta.

O chanfro é recto nas fêmeas e ligeiramente convexo nos machos. Os cornos estão ausentes nas fêmeas e são enrolados em espiral, rugosos e de secção triangular nos machos. A cabeça está revestida de lã que recobre, por vezes, parte da face e do frontal. O tronco apresenta um todo harmonioso com a espádua e o ventre regularmente lanar, em geral abaixo dos joelhos e curvilhão (Sobral, Marcelino et al.). Atualmente, os criadores utilizam as fêmeas de raça branco merino regional para cruzamentos industriais, com vista à melhoria das carcaças dos seus descendentes.

O Borrego do Nordeste Alentejano é criado em explorações pecuárias desta região com características edafo-climáticas mediterrânicas, verões muito quentes e secos. Na base da alimentação dos rebanhos desta região estão as pastagens naturais que aqui se desenvolvem, a coberto dos montados de azinho, sobro e carvalho, sendo a bolota e a glande uma fonte energética importante para os animais. Estes alimentos especiais estão à disposição das ovelhas na altura de maior concentração de partos, permitindo que as ovelhas criem borregos maiores e mais saudáveis. Os restolhos das searas são também uma fonte de alimentação muito importante para os rebanhos desta zona geográfica. 

Esta região é caracterizada por explorações mistas de ovinos e bovinos, pois desse modo rentabilizam-se mais as pastagens, andando o rebanho de ovelhas sempre atrás da manada das vacas. Isto ocorre face à rusticidade das ovelhas desta raça que, para além das aptidões naturais a todos os ovinos, tem capacidade para se alimentar dos “restos” deixados pelo gado bovino, essencialmente pastos grosseiros e de reduzidas dimensões. Os rebanhos vão desde os 20 animais até aos 1.500, sendo a média de 300 a 400 animais. Os borregos são abatidos entre os 90 e 120 dias, com um peso de carcaça entre os 9 e os 15 kg.