16 dezembro 2014

Alfarroba

​Sendo uma espécie altamente resistente à seca, a alfarrobeira está bem adaptada às condições edafoclimáticas da região Mediterrânica. Portugal é um dos três principais países produtores de alfarroba. Seca ou torrada, a alfarroba, suavemente doce, pode ser utilizada como um substituto para o chocolate, na confeção de bolos e xaropes. A semente é utilizada sobretudo para a extração de goma tendo variadas aplicações industriais, particularmente no sector alimentar como espessante, estabilizante, emulsionante, na alimentação animal. É igualmente importante para produtos biológicos na indústria, por exemplo, como agente gelificante na indústria têxtil (impressão), papel, produtos químicos (cola, tintas), farmacêutica (laxante, cápsulas, cremes dentais, medicamentos para tratamento da diarreia infantil) e cosméticos (cremes de beleza).


História da Alfarrobeira:

A alfarrobeira é uma árvore selvagem de folha perene que é originária da região mediterrânica e atinge cerca de 10 a 20 m de altura. O seu fruto é a alfarroba.


Características Gerais:

Fisionomia:

Caracteriza-se por ser semelhante ao feijão, de cor marron escuro e tem folhas paripinuladas com um comprimento variável entre os dez e vinte centímetros, formadas por seis a dez folíolos ovados, inteiros, coriáceos.     

        

Habitat:

Portugal é um dos 3 principais países produtores de alfarroba, sendo a alfarrobeira (Ceratonia siliqua L.) um elemento importante na paisagem do Alentejo.

Um exemplo de produção de alfarroba é a Herdade dos Lagos, dedicando para tal uma área de cerca de 260 hectares. Esta árvore de folha permanente é altamente resistente ao calor e à seca e atinge uma altura de 10 a 20 metros e têm uma longevidade de 2 a 3 séculos.

As alfarrobeiras crescem em solos calcários tão bem como em solos arenosos ou argilosos

e toleram uma elevada salinidade. Crescem em habitats com pluviosidade escassa e não necessitam de pesticidas. Por isso as alfarrobeiras são naturalmente aptas às exigências da agricultura biológica.

Sendo uma espécie altamente resistente à seca, a alfarrobeira está bem adaptada às condições edafoclimáticas da região Mediterrânica. Estas árvores preferem solos derivados de calcários ou vérticos de basaltos bem drenados e são intolerantes ao alagamento.


Época:

Na Europa Central esta árvore não resiste aos frios invernosos. O seu sistema radicular profundo pode adaptar-se a uma grande variedade de condições do solo e é bastante tolerante à salinidade.

Em Portugal é cultivada sobretudo no Algarve onde se distinguem desde tempos imemoráveis quatro formas de alfarrobeiras: a mulata, de burro, canela e galhosa, sendo a primeira a mais frequente.


Utilização:

Aos seus frutos dá-se o nome de vagens (alfarrobas), são ricas em açúcar, amido e proteínas, são comestíveis e permanecem fechadas depois de maduras.     

Os frutos amadurecem no ano seguinte ao da floração e a sua presença pode coincidir com a floração do ano seguinte.

A Alfarrobeira é fascinante pelas suas enormes qualidades. A vagem do fruto, bem como os caroços (incluindo a semente) são completamente aproveitados na indústria alimentar.

As alfarrobas são comestíveis tanto pelos humanos como pelos animais.

A vagem, conhecido por alfarroba, é rica em fibras e contém cálcio e ferro. Constitui uma dieta alimentar boa para as crianças.


Plantação:

Existem técnicas específicas para assegurar condições ótimas à germinação de sementes de árvores. As sementes podem ser semeadas em recipientes individuais ou em tabuleiros de germinação, assegurando que no processo de sementeira as sementes sejam colocadas à profundidade recomendada.                

Utilizando vasos pequenos ou por exemplo copos de iogurte (é importante verificar se têm furos suficientes para escoar a água, normalmente cinco furos é o suficiente), cobre-se o fundo do vaso com pequenas pedras, prepara-se uma mistura de terra com turfa, na proporção de uma parte de terra para duas de turfa, coloca-se um pouco de água e mexe-se bem, enche-se um pouco mais de metade do vaso com a mistura preparada anteriormente e comprime-se ligeiramente, em seguida coloca-se a semente, acaba-se de encher o vaso com a mistura e comprime-se novamente.                    

É importante dar uma ligeira rega para manter a humidade e colocar o vaso num local quente, com pouca luz. Quando os rebentos começarem a surgir, retira-se o vaso do local em que se encontra e coloca-se num local com luz abundante. Quando estes rebentos já tiverem alguns centímetros de altura já poderão ser colocados no exterior, sem se esquecer de regar sempre que a terra fique seca na superfície.


Curiosidades:

Pensa-se que as suas sementes foram usadas no antigo Egipto, para a preparação de múmias, foram, aliás, encontrados vestígios das suas vagens em alguns túmulos.

  • Pensa-se que a alfarrobeira foi trazida pelos gregos da Ásia Menor. Existem indícios de que os romanos mastigavam as suas vagens secas, muito apreciadas pelo seu sabor adocicado. Como outras, a planta teria sido levada pelos árabes para o Norte de África, Espanha e Portugal.
  • As sementes da Alfarrobeira são castanhas escuras, grossas e duras, em tempos passados, foram usadas como medidas de peso (carate) pelos ourives.